sábado, 2 de abril de 2016

“Eu estava no mercado para comprar arco-íris para o meu céu, quando uma vendedora me alertou: - Leva nuvens! Leva nuvens, minha filha, que não tem erro! No sol quente, ela é sombra. Para a aridez do coração, ela é regador. No ócio, ela brinca de adivinhação sendo formas variadas. Leva! Nuvens são camas para quem sonha alto e, no caso de uma queda, são tapetes, almofadas fofinhas espalhadas pelo chão.”
(Sabrina Davanzo)


"Valorize uma bela personalidade, pois a beleza exterior é como água exposta ao sol: Evapora!"
Tim Maia


"Abandonei um monte de certezas, recuso sem pudor algumas regras e desrespeito várias placas de aviso. Me divirto muito, mas tenho cada vez mais faisquinhas nos olhos, por viver as coisas em sua totalidade, sem recusar experiências e aproveitando diversas possibilidades…"
Marla de Queiroz


"Tem dia que a gente põe virgula, tem dia que colocamos reticências,
tem dia que colocamos ponto final e tem dia que temos a necessidade de virar a página."
Pe. Fábio de Melo


Sou a chuva que molha a terra,
Sou o mar, sou sentimento!
Sou o tempo e a hora!
Sou o passado que não volta,
Sou saudades dos dias de outrora!
Sou versos de amor (ou outro tema)
Sou magia, eterna fantasia
Sou poesia!
Sou a paixão que incendeia!
Sou da noite o clarão,
A lua cheia!
Heloisa Crosio


Adoro as palavras que me levam para dentro de algo que me arrepia, como quando dizes que me queres velhinho nos teus braços, e depois me apertas na raiz da pele, ontem percebi de onde vem a alegria, logo explico-te tudo debaixo dos lençóis, sim?
Pedro Chagas Freitas


"No Amor Começa-se Sempre a Zero
Fazer um registo de propriedade é chato e difícil mas fazer uma declaração de amor ainda é pior. Ninguém sabe como. Não há minuta. Não há sequer um despachante ao qual o premente assunto se possa entregar. As declarações de amor têm de ser feitas pelo próprio. A experiência não serve de nada — por muitas declarações que já se tenham feito, cada uma é completamente diferente das anteriores. No amor, aliás, a experiência só demonstra uma coisa: que não tem nada que estar a demonstrar coisíssima nenhuma. É verdade — começa-se sempre do zero. Cada vez que uma pessoa se apaixona, regressa à suprema inocência, inépcia e barbárie da puberdade. Sobem-nos as bainhas das calças nas pernas e quando damos por nós estamos de calções. A experiência não serve de nada na luta contra o fogo do amor. Imaginem-se duas pessoas apanhadas no meio de um incêndio, sem poderem fugir, e veja-se o sentido que faria uma delas virar-se para a outra e dizer: «Ouve lá, tu que tens experiência de queimaduras do primeiro grau...»
Pode ter-se sessenta anos. Mas no dia em que o peito sacode com as aurículas a brincar aos carrinhos-de-choque com os ventrículos, Deus Nosso Senhor carrega no grande botão «CLEAR» que mandou pôr na consola consoladora dos nossos corações. Esquece-se tudo. Que garfo usar com o peixe. Que flores comprar. Que palavras dizer. Que gravata com que raio de casaco hei-de usar? Sabe-se nada. Nicles.
Olha-se para as mãos e parece uma cena de transformação dum filme de lobisomens — de onde outrora havia aqueles dedos tão ágeis e pianistas, brotam dez abortos de polegares. E o vinho entorna-se só de pensar nisso. E as solas dos sapatos passam a atrair magneticamente todos os excrementos caninos da cidade. E a voz que era toda FM Estéreo da Comercial quando vai para dizer «Gosto muito de ti» fica repentinamente Abelha Maia.
Tenha-se 17 ou 71 anos, regressa-se automaticamente aos 13 — à terrível idade do Clearasil e das sensações como que de absorção. Quem se apaixona dá mesmo saltos no ar e diz «Uau!» quando o Pai deixa usar a pasta de dentes dele. Qual «ternura dos quarenta», qual bota da tropa cheia de minhocas! O amor é sempre uma anormalidade que provoca graves atrasos mentais.
Miguel Esteves Cardoso