sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Encontrar você por essas ruas tão erradas, foi como sair do piloto automatico e começar a dirigir minha vida novamente. Aquele peito feito de pedra, de repente virou algodão. Algodão doce.

Minha vontade era gritar até que você me ouvisse em seu mundo, era pra ser como eu sonhei a vida inteira. E foi. Foi mais, porque foi no momento em que eu não esperava mais nada de ninguém. E você estava lá, me mostrando muito mais que toda a perfeição em si que eu enchergava, me mostrava mais que os meus olhos podiam ver.

Um dia. E eu já sabia que você podia transformar minha vida.

Uma semana. E eu já daria uma vida pra viver ao seu lado.

Seja como for, com o tempo que for.

É com você que eu sonhei a vida inteira. Vida com gosto de algodão doce.

(Clarice Lispector)


quarta-feira, 2 de agosto de 2017


Ética: Valores que definem o que:
• Quero
• Posso
• Devo

Porque nem tudo que eu quero eu posso,
Nem tudo que eu posso eu devo e
Nem tudo que eu devo eu quero!!!

Thayane Almeida de Queiroz


terça-feira, 1 de agosto de 2017

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se está  de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.

Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.

Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.

Como eles admiravam estarem juntos!

Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

(Clarice Lispector)




Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria.

Khalil Gibran